Quando se trata de promover mudanças duradouras em hábitos de bem-estar, seja por meio de atividade física, nutrição ou atenção plena, é fácil ficar preso em empurrar nossa própria versão do que funciona. Como treinadores, defensores do condicionamento físico ou entusiastas do bem-estar, frequentemente promovemos as rotinas em que acreditamos. Mas aqui está a dura verdade: simplesmente impor nossos hábitos importantes ou tentar ser o modelo perfeito raramente leva a uma mudança sustentável para as pessoas que apoiamos.
O problema com a motivação externa
Pode ser tentador acreditar que se apenas mostrarmos aos outros o caminho “certo”, eles adotarão automaticamente os mesmos hábitos. Afinal, essas rotinas funcionaram para nós, então por que não funcionariam para todos os outros? No entanto, a questão mais profunda está na diferença entre motivação externa e intrínseca.
Quando empurramos nossa versão de bem-estar para outra pessoa, podemos ignorar a natureza muito pessoal da mudança de comportamento. As pessoas são únicas, e o que funciona para um indivíduo pode não ressoar com outra pessoa. Além disso, a motivação por trás da adoção de um hábito geralmente tem menos a ver com o que é certo ou "perfeito" e mais a ver com se o hábito se alinha com as necessidades, desejos e circunstâncias de vida de um indivíduo.
Por exemplo, alguém pode começar a se exercitar porque se sente pressionado a atingir uma certa estética ou porque está se esforçando para atingir padrões sociais, isso é motivação extrínseca. Eles podem continuar com isso por um tempo, mas no momento em que a validação externa ou as recompensas diminuem, seu comprometimento desaparece. É por isso que muitas pessoas lutam para manter seus hábitos de bem-estar: elas estão fazendo isso pela aprovação de outra pessoa, não porque realmente querem fazer a mudança.
Por que a motivação intrínseca é importante
O bem-estar verdadeiro e duradouro não vem de seguir o projeto de outra pessoa. Ele vem de dentro. A motivação intrínseca é o desejo interno de se envolver em um comportamento porque ele se alinha com os valores pessoais, interesses ou objetivos de longo prazo. Esse tipo de motivação é autossustentável porque não depende de recompensas ou validação externas.
No contexto da atividade física, por exemplo, alguém que se exercita porque gosta da forma como isso o faz sentir, seja um estímulo emocional, clareza mental ou força física, tem muito mais probabilidade de continuar. Da mesma forma, quando as pessoas fazem escolhas de bem-estar com base em seus próprios valores, elas se sentem mais conectadas ao processo e fortalecidas em sua transformação. A motivação intrínseca promove um senso de autonomia e propriedade que as pressões externas simplesmente não conseguem replicar.
A questão da “perfeição” e do reconhecimento
Há outra questão sutil em jogo: a ideia de que as pessoas precisam ser “perfeitas” em seus hábitos para serem dignas de reconhecimento ou sucesso. Essa mentalidade não só contribui para a motivação externa, mas também diminui a alegria da autodescoberta e o processo de encontrar o que realmente ressoa com um indivíduo.
Muitas pessoas se envolvem em atividades não porque as amam, mas porque estão tentando atingir um ideal. Elas podem seguir uma dieta rigorosa ou um regime de exercícios para se encaixar em um molde específico ou para ganhar aprovação social, em vez de porque realmente gostam ou porque se alinha com seus próprios valores. Mas quando esse reconhecimento externo é removido, muitas vezes também é a motivação para continuar.
Como coaches, é essencial reconhecer que nosso papel não é empurrar nossa agenda ou ideais para os outros. Em vez disso, devemos facilitar a autodescoberta. Devemos criar um ambiente onde os indivíduos sejam encorajados a refletir sobre suas próprias necessidades, explorar o que realmente os motiva e encontrar maneiras de incorporar hábitos de bem-estar que pareçam autênticos para eles.
Como incentivar a motivação intrínseca para uma mudança duradoura
1. Apoie, não force: em vez de forçar uma rotina ou comportamento específico, incentive as pessoas a experimentar o que parece certo para elas. Deixe-as explorar diferentes tipos de atividades físicas ou mudanças alimentares sem julgamento.
2. Alinhe-se com os valores: ajude os indivíduos a refletir sobre seus valores essenciais e a entender como os hábitos de bem-estar podem dar suporte a esses valores. Se alguém valoriza a clareza mental, por exemplo, pode gravitar em direção a práticas de atenção plena ou ioga, enquanto outra pessoa que valoriza a força pode encontrar uma paixão pelo levantamento de peso.
3. Crie espaço para autodescoberta: Ofereça orientação, não direção. Em vez de passar uma receita única para o sucesso, faça perguntas abertas que ajudem as pessoas a pensar sobre suas motivações, seus desejos e suas metas pessoais.
4. Comemore o progresso em vez da perfeição: Mude o foco de ser perfeito ou atingir um “ideal” específico para celebrar pequenas vitórias e progressos ao longo do caminho. A motivação intrínseca prospera quando o foco está no crescimento pessoal em vez da validação externa.
5. Encoraje a experimentação: lembre às pessoas que não há problema em tentar coisas diferentes. O bem-estar é uma jornada, não um destino, e o caminho pode parecer diferente para cada um.
O Poder da Motivação Intrínseca
Em última análise, a mudança duradoura no bem-estar não se trata de mostrar aos outros como estar bem, mas de ajudá-los a descobrir seu próprio caminho. Trata-se de mudar o foco de recompensas e reconhecimento externos para as razões internas mais profundas que impulsionam nossos comportamentos. Quando as pessoas são motivadas por seus próprios valores e desejos, elas têm mais probabilidade de criar hábitos sustentáveis e significativos. Esta é a base para uma transformação duradoura.
Então, se você está procurando apoiar alguém a fazer mudanças duradouras de bem-estar, lembre-se: não se trata de forçar sua agenda ou ideais. Trata-se de guiá-los para descobrir os seus próprios.